Locutor esportivo da etnia Xakriaba narra jogos com paixão ancestral
Por Guilherme Frota
Conhecido pelo nome indígena Aukum, que equivale a “onça-pintada”, o locutor Juvenal de Seixas Ferro é figura carimbada em eventos esportivos indígenas no Sudeste do país. Com a força da voz, digna do maior felino do Brasil, ele se orgulha de fazer o que ama, tendo apenas um bloquinho de notas e uma caneta.
“É uma paixão que virou realidade. Não tenho formação na área, mas sempre foi um sonho, desde mais novo, trabalhar com comunicação no rádio”, relata.
Aos 57 anos, Juvenal narra jogos no território onde mora, uma área demarcada no norte de Minas Gerais que abriga a etnia Xakriaba, perto da divisa com a Bahia. Depois de trabalhar voluntariamente por mais de 26 anos em rádios comunitárias, ele afirma ter aproveitado todas as oportunidades e, até hoje, viaja pelo país narrando jogos indígenas.
“Quando saímos da aldeia, tudo aquilo que trazemos serve de conhecimento para o nosso povo. Apesar de nossos anciãos preferirem não sair do território, somos preparados por eles sobre como agir fora de casa”, conta Juvenal.
Entre suas referências na profissão, Aukum menciona o narrador Osmar Santos, conhecido como “o rei da matéria” nas transmissões de rádio. Desde criança, ele foi uma inspiração para Juvenal, assim como Galvão Bueno, com seus famosos bordões na televisão.
“Eu agradeço a oportunidade de contar um pouco de mim para vocês. Na língua dos Xakriaba, eu diria “ariatã”, que, em português, significa “obrigado”, concluiu.