Entre redes e articulação, o instituto aposta no fortalecimento de quem já está nos territórios para gerar impacto real
Por Ana Julia Silveira
Nem sempre o desafio está em garantir direitos, mas em fazer com que eles cheguem, de fato, a quem precisa. É nesse intervalo – entre o que está previsto e o que acontece na prática – que o Instituto de Direito Coletivo constrói sua atuação. Desde 2017, o IDC organiza seu trabalho a partir de uma lógica que se repete em diferentes frentes: o fortalecimento de quem já está nos territórios. Mais do que criar soluções isoladas, a aposta está em dar estrutura para que iniciativas existentes ganhem continuidade e escala.
Para Tatiana Bastos, presidente do IDC, essa ideia de impacto passa menos pela inovação constante e mais pela permanência: “Não é sobre criar algo novo o tempo todo, é sobre garantir que quem já está na ponta consiga continuar. Na prática, isso significa olhar para organizações que já atuam em suas comunidades, mas enfrentam dificuldades para se estruturar, acessar recursos ou simplesmente se manter. Nosso papel é fortalecer esse caminho, para que elas tenham mais segurança, autonomia e consigam ampliar o que já fazem”.
Essa lógica aparece com clareza nas iniciativas que operam, muitas vezes, longe dos holofotes, mas são decisivas para que o trabalho aconteça. Ao desenvolver soluções como a eTransparente ou fortalecer redes com mais de 120 organizações, o foco não está na ferramenta em si, mas no que ela viabiliza: organizações mais estruturadas, aptas a acessar recursos públicos e a manter suas atividades com maior estabilidade.
Mais do que criar projetos, o IDC atua ajustando engrenagens.
O mesmo princípio orienta o trabalho com cooperativas de catadores, onde a pauta ambiental se cruza diretamente com a inclusão social. Ao apoiar processos de formalização, geração de renda e participação em políticas públicas, o IDC atua para reposicionar esses trabalhadores dentro da cadeia de resíduos. Como aponta Tatiana: “não é só sobre reciclagem, é sobre reconhecimento. Sobre garantir que essas pessoas sejam vistas como parte essencial da solução”.
Esse movimento revela também a forma como o IDC entende sua atuação: menos como protagonista isolado e mais como articulador. Seja conectando organizações, incidindo sobre políticas públicas ou traduzindo demandas complexas em ações concretas, o objetivo é o mesmo: reduzir a distância entre direito e realidade. “Direitos não se garantem sozinhos. Eles precisam de estrutura, de rede e de continuidade para existirem na prática”, resume Tatiana.
No fim, o que move o IDC não é apenas a criação de iniciativas, mas a construção de caminhos para que elas permaneçam. Porque, mais do que existir na lei, o direito só se realiza quando consegue fazer parte da vida real.