O encontro de paixões na luta olímpica
Aluna e professor de projeto inédito são figurinhas carimbadas nos pódios pelo país
por Guilherme Frota
Nos tatames, Maria Eduarda Ribeiro do Nascimento é sinônimo de garra e esperança por títulos. Moradora da Zona Norte do Rio, a jovem de 16 anos é um dos nomes mais promissores da luta olímpica no país. Com oito medalhas conquistadas em Brasileiros e Estaduais, ela segue em busca de mais e demonstra nos treinos que qualquer desafio pode ser superado.
“Ela é uma chilena que veio lutar com a gente hoje, é experiente, tem quase o dobro da minha idade. Achei que ia tomar uma surra, mas não foi bem assim”, orgulha-se Duda, ao lado de sua oponente após mais uma sessão de treinos.
Aluna do professor iraniano Sajad Salami, a atleta faz parte de um grupo de luta olímpica que nasceu na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Trata-se de um projeto de extensão que busca incluir alunos e não alunos no esporte, justamente na instituição onde Sajad dá aulas, como professor de matemática, durante a semana:
“O Wrestling na Uerj nasceu em 2023. Esse esporte, que no Brasil é conhecido como luta olímpica, é a paixão dos iranianos. Para nós, é como o futebol para os brasileiros!”.
Técnico do Brasil no Pan-Americano de 2023, Salami também busca, a partir do Wrestling na Uerj, formar uma equipe de lutadores. Afinal, a paixão pelo esporte milenar o segue por onde vai, já que pratica a modalidade desde os 9 anos. Hoje, inspira jovens, como Duda, que têm vontade de aprender.
“Ela começou a treinar com a gente há quase um ano e já ganhou várias medalhas. Duda participou de três ou quatro competições estaduais e nacionais. Acho que ela vai representar muito bem o Brasil no futuro”, aposta o professor.
Com tatames importados e um ambiente bem preparado, Salami cultiva a esperança de encontrar apoio financeiro. O objetivo é ampliar as aulas de luta, mas, enquanto houver jovens interessados, o iraniano diz “dar um jeito”. Recentemente, o projeto Wrestling na Uerj foi renovado até 2027.